Eu, Giovana M., controladora e obsessiva


Depois de uma boa pausa nas atividades casamenteiras e na vida como um todo, na real, estou ligando novamente a chavinha de cada projeto em andamento. Passei ótimas férias com o noivo, e dado que só tenho previsão de vê-lo novamente mais uma vez antes do casamento, tentei aproveitar ao máximo.

Já havia comentado em outros posts que pretendia trabalhar bastante com carimbos na identidade visual do casamento, e consegui mandar fazer dois antes do carnaval (obrigada, moça linda da gráfica!). Testei um pouco, apanhei pra conseguir carimbar com dignidade usando a almofada branca (nota-se na primeira foto do post...) e um pequeno amor por "essa coisa antiga e meio fora de moda" que é carimbar surgiu no meu coraçãozinho.

Há bastante tempo, não me lembro nem de como e nem do porquê, assisti a alguns vídeos no Youtube sobre como adicionar relevo à estampas carimbadas, utilizando um pó especial que deve ser aquecido após aplicado. Lembro-me de ter ficado maluca com o efeito, que é lindo como o que se obtém, a altos preços, com processos de acabamento diferenciados e em grandes quantidades de impressos em gráficas, e cacei pela internet toda se encontrava o tal embossing powder, o pozinho de criar relevo. Não tive sucesso, e sosseguei com a ideia provisoriamente.

Uma nova possibilidade surgiu quando comecei a planejar as férias com o noivo, e resolvi pesquisar lojas para comprar o meu tão desejado embossing powder. Encontrei a The Inkpad, loja especializada em carimbos, e botei na nossa rota de pontos a se parar na Big Apple City. Coincidentemente, ao fazermos o caminho para uma outra loja, entre uma estação de metrô e outra, topamos com a charmosa lojinha! As moças que me atenderam foram muito simpáticas, mesmo depois do 'OMG' que soltaram quando disse que nunca havia feito relevo com carimbo antes, e encontrei tanto o pó quanto boas almofadas para carimbo - trouxe uma metálica que tem prata, dourado e cobre, uma branca e outra transparente, exclusiva para se usar com o pó de relevo, além de uma caneta especial com a qual se pode desenhar detalhes que serão transformados em relevo posteriormente. Com essa caneta, desenhei esse estudo de número para mesas do casamento, numa das próprias tags que deverei usar, de kraft:


Ainda não está como eu queria, pois o relevo apareceu pouco. Creio que deveria passar mais vezes a caneta para que mais pó ficasse grudado, ou talvez tenha aplicado calor demais. Mas não deixo de estar encantada com o resultado! E o segurador de tags de mesa em forma de poste de luz antigo chegou pelo correio esses dias, comprei também pelo Aliexpress. É menor e mais mal-acabado do que eu esperava, mas cumprirá bem sua função - por enquanto, ainda não me arrependi de nenhuma compra chinesa!


O carimbo que mais me encantou, por enquanto, foi o do monograma. Ainda não o usei oficialmente, mas testei em branco, degradê de dourado e bronze e bronze com relevo - este último é o da foto acima. O acabamento é menos refinado que um dourado em relevo de gráfica, mas isso é coisa que só dizáiner controladora e obsessiva que vos escreve repara - aposto que pessoas sem familiaridade com processos gráficos achariam que mandei fazer! Os rococós brancos do fim da tag de craft são carimbos chineses, comprados pelo Aliexpress e com o pó de relevo aplicado. O branco fica muito mais nítido quando adicionado o relevo! Outra conclusão à qual cheguei é que as almofadas metálicas chinesas são péssimas se comparadas às americanas, e a minha branca vinda da China não funcionava - a compra das almofadas na The Inkpad valeu muito a pena! Já as chinesas coloridas dão conta do recado, e preto posso encontrar em qualquer papelaria.


O outro carimbo que fiz foi o da foto acima, com um trecho da música Beijo Seu, da banda Móveis Coloniais de Acaju e minha mãe sempre implica que ninguém vai entender que isso é nome de banda HAHAHA. Gostaria de ter adicionado esse verso no convite, mas acabou não dando certo porque queria o mínimo de texto possível. Decidi adicionar ao envelope dos convites esses marcadores de livro com o texto carimbado, como tinha visto neste projeto - gostei bastante da ideia de separar a informação em mais papéis, e também deverei adicionar um mapa para o local no envelope. Já tenho cerca de 90 marcadores prontinhos, alguns em kraft e outros em branco. São bem fáceis de fazer depois que se pega o jeito de carimbar! (e devo adicionar que linhas tão fininhas quanto as desse trecho são BEM mais difíceis de se estampar que desenhos com linhas mais grossas...)


E foi pensando em montar esse post, com as fotos que tirei antes de guardar com todo o carinho do mundo meus marcadores de página, que descobri o porquê desse meu amor pelos carimbos: trata-se de um modo de impressão através do qual eu não dependo da gráfica - ou ainda, dependo tanto dela quanto do fabricante de papel. E é muito bom deter a maior parte possível dos processos de produção - há uns tempos, conversando com o noivo, cheguei à conclusão de que adoraria ter uma gráfica, e cada vez mais penso que seria um trabalho do qual eu gostaria. Quem sabe não é um caminho legal pra essa controladora e obsessiva que aqui escreve?

Monograma, o final


Eu sou uma pessoa com dificuldades para concluir projetos começados, principalmente quando esses projetos prometem levar longas horas para serem concluídos. Como já havia começado o monograma, vi que precisava debruçar nisso por mais tempo ou perderia o ânimo. Agora vou contar a história toda...



Inicialmente, pensava em desenhar as letras. Depois de alguns esboços, vetorizei o do qual mais havia gostado, modifiquei um tanto as letras e cheguei no desenho ao lado.

Não gostei, por ter achado muito rebuscado, meio difícil de ler e parecido demais com a minha falida caligrafia cursiva - creio que só escrevo com letras de forma desde, sei lá, a sexta série... Deixei o esboço de lado e fui ver como eram as nossas iniciais nas tipografias que já havia separado para possivelmente usar na identidade toda. Encontrei uma com a qual achei que o S & G ficaram bem simpáticos, e redesenhei.


Desta segunda versão, gostei bastante, mas sempre que faço projetos pessoais, procuro algum amigo das artes pra palpitar, que é bem mais difícil enxergar problemas dos próprios materiais quando a gente está envolvido emocionalmente com eles. A versão das letras vazadas foi preferida, mas tinha algo de estranho: fui alertada que a letra 'G' poderia parecer uma letra 'e', por conta da ligação com o &, mas o comentário que mais doeu (HAHAHAH) foi que esse & tinha cara de dupla sertaneja. HAHAHHAHA Aí rolou o segundo olhar do qual eu precisava - era isso que estava deixando problemático...


Por coincidência, estava limpando a caixa de entrada do e-mail dos meus spans, e me deparei com uma propaganda da David's Bridal anunciando alguma promoção em Save the Dates, e os nomes do exemplo eram ligados por um & com o desenho semelhante ao da versão ao lado, que combinou bastante com a tipografia que eu já havia escolhido - existem vários jeitos de se desenhar esse caractere, conforme uma professora de tipografia comentou conosco, na época da faculdade.

A dúvida veio por conta da falta de uma firula no G, já que o S tinha. Fiz a ligatura, conforme a versão abaixo, mas ainda preferi o mais simplificado. Aliás, tanto eu quanto o noivo, o que é sempre bom sinal, né...
Com isso, cheguei à versão final, vazada como era o planejado, e mais simplificada:


Gostei bastante do monograma! Tem um toquezinho vintage, o & - eu tenho uma quedinha por esse caractere, sei lá por que hahahah -, é consideravelmente legível e as letras estão representadas enlaçadas. O próximo passo será fazer um carimbo, aí vou sair carimbando meu monograma em tudo que é lugar HAHAHAH, que servirá pro convite dos padrinnhos, pra um dos trecos do convite padrão e pra várias outras coisas, provavelmente. Gosto muito da ideia de carimbar materiais, porque dá um toque personalizado e é fácil, além de ser um trabalho terceirizável, com o qual amigos dispostos podem dar uma força.

A foto que ilustra o post é o estudo do convite - creio que ele está idealizado! Já pretendo comprar o material para o envelope semana que vem, para começar a dobrar, e torcer pras gráficas responderem meus e-mails e os e-mails de pedido de orçamento de uma amiga hahaha... Meu próximo passo na identidade visual será trabalhar nos convites para os padrinhos, e ir às reuniões com os vários fornecedores com os quais marquei. Logo devo fazer um post sobre isso...

As cores da festa!

Entre as milhares de coisas que a gente precisa escolher pra que a cerimônia e a festa fiquem a cara dos noivos, ou pelo menos de um deles HAHAH, estão as cores da decoração. E isso não é relevante só na hora de conversar com o decorador! É mega legal levar a paleta escolhida em conta desde a primeira coisa que os convidados irão ver da sua festa, ou seja - os convites! E é exatamente por isso que estou no dilema das cores há algum tempo.

Minha madrinha curitibana, quem mais tem me aguentado falando de assuntos casamenteiros, revirou comigo o site The Perfect Pallete, que é extremamente bacana pra escolher cores de festas. E eu, como boa esmaltólatra, enxergo tudo que tem relação com cores em esmaltes. O bom é que a conversão de esmalte pra Pantone ou CMYK não é tão difícil... HAHAHAH

O primeiro jogo de cores que me chamou atenção foi um bem vintage, fofinho, todo em tons pastel. Os tons são um verde menta, clarinho, um coral rosado clarinho, amarelinho, azul bebê... Então comecei a pensar sobre o destaque desse tipo de tom no meu salão, que é todo branco, do piso às paredes. 

Foi aí que comecei a pensar num esquema de cores que contivesse ao menos uma cor bem vibrante. O laranja me veio em mente, porque lembrei daqueles lírios e gérberas que parecem artificiais de tão coloridos que são - além disso, o laranja vibra tanto no salão branco quanto no verde que será cenário da cerimônia, caso não chova. Parece ideal! A paleta da qual mais gostei, segundo essa lógica, foi uma que também tinha o tom de papel kraft, vulgo cor de saco de pão - adoro esse material e pretendo que o convite seja dele, numa gramatura um tanto quanto maior que saco de pão...

Não se falou mais nisso, e fui comentar com mamãe sobre a existência de um site só sobre cores para festas, em especial de casamento. Abri os laranjas só pra mostrar pra ela, e me deparei com essa seleção linda e inusitada de tons, que agradariam tanto a mim quanto ao noivo, imagino. Sóbria e alegre, funcionaria muito bem pra cerimônia no final da tarde que vara noite adentro. Estava decidida.

Então me lembrei do Design Seeds, site que já me ajudou muito durante a faculdade - escolher cores pra trabalhos é um aprendizado, e a chance de erro fica bem menor quando se tem o apoio de sites como esse ou como o Kuler - acho esse segundo mais técnico, enquanto o Seeds serve pra qualquer pessoa, além de tirar as paletas de lindas imagens. Busquei por paletas que contivessem laranja, e caí de amores por uma que continha também roxo, uma cor que eu tinha abolido - há muitas referências lindas de casamentos todos baseados em roxos avermelhados, azulados, lilases... Mas acredito que o tom não tem nada a ver com o noivo.

Pressionada por uma amiga, joguei essas duas últimas no Photoshop e fui selecionando tons dos quais gostava. Finalmente cheguei aos tons que me satisfizeram!


E ela faz todo o sentido pra mim - é primaveril e alegre, tem dois tons mais neutros - o amarelinho e o marrom kraft -, o azul esverdeado (vulgo teal, no mundo dos esmaltes) é oposto do laranja e o verde, do roxo! Não vou me limitar à essas cores específicas, mas vou ficar nas nuances destes - mais claros, mais escuros, um tequinho diferentes... Acho que vai ficar muito bonito, e o buquê nesses tons vibrantes...

Também finalizei o monograma e ele deu uma pinta aí! Logo monto um post mostrando a saga toda...

Casamento made in China

Há algum tempo atrás, ingressei num grupo do Facebook chamado Casamento made in China, que creio ter encontrado num outro grupo sobre compras no Ebay, já que um tópico do grupo genérico já estava pequeno demais pra assuntos casamenteiros. Entrei nele porque pensava, inicialmente, em mandar fazer os convites na China, porque queria os materiais gráficos todos no padrão de corte à laser, e por aqui, esse serviço custa uma pequena fortuna que eu não estou disposta a pagar em materiais tão descartáveis, mas lá passei a cobiçar um vestido made in China.

Todo mundo que já fez uma breve pesquisa com relação aos valores de venda, aluguel e primeiro aluguel de trajes de noiva sabe que é cobrada outra pequena fortuna - aliás, cada vez mais acho que casamentos são todos feitos com o sacrifício de várias pequenas fortunas, porque basta incluir essa palavrinha "tão mágica", casamento, para que as coisas tripliquem seus valores justos. Muita gente tem optado por comprar os mais diversos modelos das lojas - que, pelo que dá pra ver no fundo das fotos reais dos vestidos, são verdadeiras fábricas - que ficam do outro lado do mundo. No topo da minha wishlist de modelos estão este e este! Os planos para o vestido, à princípio, mudaram, mas nem por isso vou deixar de aproveitar os precinhos camaradas de muitas das coisas que são oferecidas nos sites chineses.

Hoje chegou o primeiro pacotinho deste vendedor do Aliexpress, que comprei pensando em testar o funcionamento do site. Trata-se de uma espécie de Mercado Livre/Ebay com vendedores chineses, do qual o mundo todo compra. O maior problema do Ali, ao meu ver, é não aceitar Paypal - paguei minhas compras com um cartão de crédito internacional, porque caso não recebesse o que comprei, poderia tanto solicitar o estorno no próprio Aliexpress quanto na minha operadora. Parece que é possível comprar por boleto bancário, mas não tenho certeza e tampouco recomendo, exatamente por conta da impossibilidade de estorno, caso algo dê errado.

Nesta primeira compra, optei por testar almofadas para carimbo em diversas cores, alguns carimbos de borracha e alguns materiais impressos - possíveis tags para mesas e envelopes para recadinhos aos noivos. Fiquei extremamente surpresa com a veracidade das fotos em relação aos produtos que recebi!


Os envelopes tem uma carinha vintage e 12 estampas diferentes. São bem pequenos - cerca de 9x7cm - e não vem com o cartão interno, que penso em cortar eu mesma e disponibilizar junto da caixinha de correio americana, na qual o pessoal deve deixar seus recadinhos.


As almofadas para carimbo são os quadradinhos coloridos, inclusive uma dourada e outra prata, e os carimbos são o rococó vermelho e a caixinha escrito "Jewelry". Ainda não tenho certeza de como vou usá-los, mas gosto demais da ideia de ter carimbos para personalizar as coisas - é mais fácil que mandar imprimir e ainda tem o charme do "feito à mão". O contra é a trabalheira, mas estamos aí pra isso!

Vou dedicar uma pequena verba mensal para comprar outros itens de lá, porque dá pra encontrar muita coisa diferente à ótimos preços - e dado a fortuna que andam cobrando por qualquer serviço ou produto no ramo casamenteiro, o negócio é pesquisar e fazer o que for possível com o que se tem...

O casamento do meu melhor amigo


Ou algo que o valha. Na verdade, coloquei esse nome porque me lembrou do filme da Julia Roberts, que assisti há tanto tempo que nem me lembro embora não precise de taaanto tempo assim pra que eu me esqueça dos enredos dos filmes que vejo, mas...

Sou filha única, tenho minha casa pra olhar, mas tenho dois marmanjos que se encaixam numa definição próxima do que chamaria de irmão: o primeiro me ligou quando confirmou que iria ser papai pra me contar que eu iria ser titia, o segundo se casou ontem. E nós três temos uma banda de punk rock desde adolescentes e de vez em quando, tiramos o pó dos instrumentos juntos.

Foi a primeira vez em que fui madrinha de casamento de alguém, e em que brinquei de estátua e vi a cerimônia do lado de lá do altar. A prévia da coisa foi bem corrida, já que voltei de Macapá com o guri, que veio exclusivamente pra isso e hoje já se mandou de volta pro norte, e é sabido que moçoilas levam um bom tempo se aprontando pra esses eventos - fiz as unhas às 14h30, comecei a labuta às 16h no salão, fiz minha própria maquiagem, me vesti e consegui chegar às 20h, como solicitado, enquanto o guri tomou banho, se vestiu e fez o nó da gravata em apenas uma única e mísera hora.

Lamentações à parte, é bem curioso ir à um casamento sabendo que se está com um pra organizar. A coisa toda fica muito mais próxima e extremamente menos entediante - provavelmente por se tratar de um casal de noivos com os quais eu tenho mais afinidade que com os outros que já presenciei. Eu queria ser capaz de captar em cada detalhe o esforço e carinho do casal em proporcionar aquele momento não só à eles, mas à todos os convidados carinhosamente escolhidos e presentes.

Havia pensado em levar a câmera pra fazer um registro do que achasse interessante, exatamente por ter a visão de alguém envolvida na vida do casal, não de um profissional. No entanto, também tinha a vontade de ser uma convidada e receber os detalhes da festa da maneira planejada para que os convidados recebessem, então fui sem aparato nenhum, inclusive celular - apenas com o chinelinho pra tirar o salto depois das fotos. Acabei roubando a câmera da mãe pra tirar fotos com os amigos no fim da festa, mas são registros de gente comum, rápidos e cheios de defeitos - ainda assim, ótimas memórias.

Sei que uma grande parte do casamento foi DIY, e acredito que eles conseguiram misturar de uma maneira muito bacana o que se espera de uma festa de casamento e o que particulariza esse casal - o noivo entrou na igreja ao som de Ramones, a primeira dança foi Stuck in the Moment do U2, a decoração em branco e azul anil e os materiais feitos por eles mesmos, com tecido, fita e muito amor no coração.

A caixinha é o convite para os padrinhos. O convite, embaixo, do mesmo tecido. A flor foi a forminha de um docinho delícia e ao fundo, os macarons de lembrança para os padrinhos.

Ao invés dos tradicionais pedaços de gravata, foi vendida a rosquinha do noivo HAHAHAHHA. A ideia e confecção foi cortesia de um casal de padrinhos!

A lembrancinha do casamento foi um docinho delícia embrulhado no mesmo tecido usado nos outros materiais.
O "valor das coisas" a gente descobre assim que inventa de passar os papéis e fazer uma festa, e diga-se de passagem, não se tratam de valores baixos. Mas a importância de se cuidar de todos os detalhes com um baita carinho, pra que todas as pessoas sintam o quão importante é o momento e a relação entre elas e o casal, eu vi nesta festa. Sejam muito felizes, meus primos e futuros padrinhos!

Hoje é dia de monograma, bebê

De toda a imensidão de coisas que um casamento demanda, a única da qual eu não abriria mão de fazer no meu próprio é a identidade visual, por uma razão muito simples: é o meu trabalho. O maior problema disso, no entanto, é ser minha própria cliente.

O que esperar de uma dizáiner que leva um ano pra criar seu próprio cartão de visitas?
Incapaz de criar uma identidade visual capaz de me representar para os cartões de visita, optei por manchas de aquarela, representando a fluidez, e apenas o meu nome com uma tipografia comprida, representando a precisão. E devo confessar que cogitei fortemente um convite de casamento com manchas em aquarela, até me lembrar de que já havia usado esse artifício pra mim mesma... Além disso, o coitado do noivo também precisa ser representado, e certamente essa tipo com essas manchas não o fariam.

Entrei na questão do monograma. Trata-se das iniciais do casal colocadas juntas e eventualmente adornadas, usadas principalmente nos convites, mas tendo aplicação em diversos outros materiais, como cardápio, cadeira dos noivos, porta-alianças, balões e até docinhos. Existem milhares de modos de se juntar as letras: desde alguns elaborados, que formam desenhos, junções simples, bem-pensadas, até alguns que eu gostaria de ter desenhado. O problema é que eu gosto de todos os modelos, desde que promovam alguma relação entre as letras - não se usa o termo "enlace matrimonial" à toa, né?

Considero o monograma o "logotipo" do casamento. Ele precisa refletir tanto como vai ser a festa quanto como são os noivos, ser legível e atraente em diversos tamanhos e, logicamente, ser bonito e conter as iniciais do casal. Por isso é importante já ter uma ideia do clima que se deseja pra festa, algo que já ando pesquisando há uns meses - um painel no Pinterest pode ser seu melhor amigo nesses momentos de pesquisa...

Então, mãos à obra! Aproveitei para dedicar um dos meus sketchbooks vazios apenas à coisas do casamento. E desenhando, percebi que além do que eu já imaginava, é meio trabalhoso manter as duas letras na mesma proporção, e que elas ficam muito bem 'abraçadas'. Não deu tanto tempo assim de testar várias possibilidades, mas gostei de duas dessa página. Válido pra uma primeira tentativa!


O porquê de eu nem ter dito sim

Este será um blog de making of de um casamento. Talvez apenas mais um deles. Eu? Apenas mais uma noiva que dispõe de 11 meses para organizar a cerimônia com a qual, diferentemente de tantas meninas, nunca nem sonhou, o que pode ser tanto bom quanto ruim - é a tal da 'folha em branco', sem antecedentes, mas com muita expectativa.

E é sempre muito estranho começar a registrar algo que já está em andamento - seja por preguiça de iniciar o registro a tempo, ou mesmo por falta de planejar o sistema todo. Talvez este blog seja útil como ferramenta de planejamento... Na verdade, a folha já não está tão em branco assim, mas vamos por partes...

Eu não sou alguém que gosta de fazer tudo às escondidas para surpreender a todos no dia D. Sou uma pessoa que adora trabalhos coletivos, e que se sente muito bem envolvendo pessoas queridas e competentes nos próprios planos, tanto pessoais quanto profissionais. Há um certo conflito entre a minha vontade de envolver essas pessoas e a vontade delas de serem envolvidas, o que me leva a tentar não ser aquela espécie chata de gente que só sabe falar do mesmo assunto. Outra razão para este blog existir - quem ler meus textos aqui, será motivado pela curiosidade genuína, e quem comentar, pela vontade do diálogo. Portanto, fique à vontade e saiba que eu estaria pronta para te servir uma xícara de café sem açúcar enquanto te ouço!

Embora tenha reservado este nome no Blogger há alguns tempos, é curioso que tenha tomado fôlego para começar os textos justamente hoje, 26 de dezembro. Há um ano atrás, eu acordei com o bambolê no anular direito pela primeira vez, e carregava a obrigação indireta de organizar uma festa bem bacana de casamento. Nunca usamos aliança antes - tivemos algumas tentativas frustradas de pares de correntes, e já tive vontade de ter as aliancinhas de prata, por causa das quais já tinha enchido muito o saco do namorido, que nunca quis. Não esperava que um dia usaríamos alianças de ouro - e nem estava nos planos, assim como não estava nos planos casar na igreja, muito menos com festa e tudo que se tem direito... Mas não deixo de achar bonitinho o fato dele ter comprado as ditas-cujas antes de voltar pras suas terras remotas, agora concursado, e aguardado o natal com a minha família pra entregá-las. Foi o jeito dele dizer sem palavra alguma que vamos ficar juntos, mesmo que demore um teco. Eu nem disse sim, como diz o nome do blog, porque não houve pergunta. Também nunca houve um pedido de namoro, porque não foi necessário - é só a consequência natural de querermos estar juntos. Talvez por isso eu ainda ache tão estranha a ideia tradicional da celebração de casamento, e esteja entendendo isso tudo como uma festa de despedida da minha terra natal - o começo de vida à dois é a consequência da vontade de estarmos juntos, independentemente de dizer sim.